Meu corpo, minhas regras, ok?

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Com certeza Bia Varanis é uma mina que tem feito história. Em 2015, quando ainda estava no ensino médio, morando no interior, Bia tentava se encaixar aos padrões de beleza e comportamento impostos pela sociedade. “Foram muitos anos de tentativas frustradas e de ser renegada por todos. Durante muito tempo fui para a escola de moletom grande para esconder meu corpo, procurava não falar, não me manifestar.

O silêncio nos foi imposto a vida toda, Audre Lorde, filosofa estadunidense negra, diz muito sobre isso, que precisamos aprender a romper com o medo da fala.” Realidade essa, não só de Bia mas de muitas meninas, que buscam cada vez mais aprovação externa, colocando sua saúde em risco, com dietas e remédios para ter o “corpo apropriado”.

“Sempre fui muito conectada e a partir dessas navegações conheci o feminismo. Li sobre os padrões estéticos, li sobre as dietas como sedativo político para as mulheres e toda a opressão que colocam em nossos corpos, que até hoje sofrem dos processos da colonização: a beleza tem que ser a da Europa. É um processo muito, muito longo e muito doloroso conseguir ver a palavra gorda apenas como uma característica, e tirar dela todo o simbolismo de ofensa que as pessoas definiram”.

E então, esse incomodo social trouxe para Bia uma ideia, criar o blog Minas da História, onde ela reúne histórias de várias mulheres que fizeram a diferença durante todos esses anos. “A ideia veio depois de ver uma foto de Maria Bonita, na Olimpíada de História da UNICAMP, e descobrir que nada ou pouco se sabe a respeito das mulheres que contribuíram para a História da Humanidade.” Para Bia, ainda falta muito para que a sociedade entenda de fato o feminismo, “a libertação da mulher não está no interesse do capital. Logo, a mídia de massa, no caso a televisão (é sempre bom lembrar que apenas 50% da população brasileira tem acesso à internet) reproduz uma imagem distorcida do feminismo. Principalmente por que muita coisa que não existe pode ser dita como verdade.”

Para entender de feminismo a dica dela é a leitura, “procurar ler mulheres. Livros escritos por mulheres. Grande parte do conteúdo feminista está vindo apenas da internet, de blogs e sites independentes que resistem para espalhar informações emancipadoras e críticas”, e sororidade “Acredito que as mulheres deveriam se ouvir mais, se aproximar mais e criar uma rede de apoio entre elas, compartilhando sentimentos, histórias e vivencias. A questão é: o machismo não é algo que beneficia as mulheres, e sim que cria disputas e rivalidade entre elas mesmas”, orienta.